Fim da escala 6×1 tem apoio de 7 em cada 10 brasileiros, aponta Quaest
Pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta semana mostra que 69% dos brasileiros são favoráveis ao fim da escala de trabalho 6×1, contra apenas 22% que se opõem. O apoio é estável há mais de um ano. E, se a medida passar, 53% dizem que usariam o tempo extra para descansar e ficar com a família.
Os números do apoio
O levantamento aponta que 69% dos entrevistados preferem o fim da escala 6×1 — o modelo em que o trabalhador cumpre seis dias de jornada para um de folga. Apenas 22% se manifestaram contra.
O dado mais revelador é a estabilidade desse apoio ao longo do tempo. Não se trata de uma reação momentânea a algum episódio pontual: a preferência pelo fim da escala se mantém alta há mais de um ano.
A pesquisa foi realizada entre os dias 10 e 13 de julho.
Na escala 6×1, o trabalhador cumpre seis dias de jornada para um único dia de folga — modelo comum no comércio, em serviços e na indústria, e alvo de debate crescente nos últimos anos.
“O apoio ao fim da escala 6×1 se manteve estável: 69% em julho de 2025, 72% em dezembro de 2025, 68% em maio de 2026 e novamente 69% na rodada atual.”
Um apoio que não oscila
A série histórica acima mostra por que o tema resiste no debate público. Em pouco mais de um ano, o apoio variou apenas quatro pontos — de 68% a 72% —, sempre acima de dois terços da população.
Esse tipo de estabilidade é raro em pesquisas de opinião e costuma indicar uma convicção formada, e não uma reação passageira ao noticiário.
A constância também dá força política ao tema: é difícil, para qualquer lado, argumentar que se trata de um clamor passageiro.
Os números:
- A favor do fim da 6×1: 69% dos entrevistados.
- Contra: 22%.
- Julho de 2025: 69% de apoio.
- Dezembro de 2025: 72% — o pico da série.
- Maio de 2026: 68%.
- O que fariam com o tempo: 53% usariam para descansar e ficar com a família.
O que o brasileiro faria com a folga extra
Um dado da pesquisa ajuda a entender o porquê de tanto apoio: questionados sobre o que fariam com o tempo extra caso a medida passasse, 53% responderam que usariam para descansar e passar mais tempo com a família.
Não é uma resposta sobre lazer ou consumo — é sobre recuperação e convívio. O número sugere que, para boa parte dos trabalhadores, a escala 6×1 é sentida menos como uma questão de jornada e mais como uma questão de vida pessoal comprimida.
Apesar do apoio maciço na opinião pública, a proposta de fim da escala 6×1 segue em disputa. Mudanças nesse modelo dependem de tramitação legislativa e enfrentam resistências, sobretudo de setores empresariais que apontam impacto nos custos e na operação de atividades que funcionam sete dias por semana, como comércio e serviços. Ou seja: apoio popular alto não é o mesmo que aprovação garantida no Congresso — e essa distância é exatamente o que mantém o tema em pauta.
Enquanto a discussão não avança no Congresso, a escala 6×1 segue sendo a realidade de milhões de trabalhadores brasileiros, sobretudo no comércio e no setor de serviços — justamente os que mais empregam no país.
O debate sobre a jornada de trabalho no Brasil não é novo, mas ganhou tração nos últimos anos com a popularização da discussão nas redes sociais e o engajamento de trabalhadores de setores historicamente menos organizados sindicalmente.
Por ora, o placar é este: apoio popular consolidado de um lado, tramitação travada do outro.
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