Economia

Tarifaço: governo começa a ouvir setores afetados nesta terça, véspera da taxa entrar em vigor

Por HAMLET 21/07/2026 2 semanas atras

O governo iniciou nesta terça-feira (21) uma série de reuniões com setores afetados pela tarifa de 25% dos Estados Unidos, que entra em vigor nesta quarta (22). Indústrias de calçados, têxtil e plástico se reúnem com ministros para discutir medidas de crédito e a ampliação do Plano Brasil Soberano. O objetivo é preservar empresas e empregos.

Quem se reúne com o governo

Pelo menos três associações do setor produtivo participam das reuniões desta terça-feira, na véspera da entrada em vigor da tarifa.

São elas a Abicalçados (Associação Brasileira das Indústrias de Calçados), a Abit (Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção) e a Abiplast (Associação Brasileira da Indústria do Plástico).

Do lado do governo, participam o ministro do MDIC, Márcio Elias, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, e o vice-presidente Geraldo Alckmin.

O Plano Brasil Soberano vinha sendo desenhado nas semanas anteriores justamente para este momento — a entrada em vigor da tarifa. As reuniões desta terça são a etapa de calibragem, em que o governo ouve de cada setor onde o aperto será maior.

“As reuniões buscam discutir a ampliação do Plano Brasil Soberano, definir medidas de crédito e preservar empresas e postos de trabalho diante da tarifa adicional imposta pelos Estados Unidos.”

O tamanho do impacto

O trecho acima resume o objetivo das conversas. E os números ajudam a dimensionar o problema que o governo tenta administrar.

Segundo estimativa do MDIC, a tarifa de 25% somada a uma sobretaxa de 12,5% afetará 18% das exportações brasileiras aos Estados Unidos. Por outro lado, 57% da pauta permanece isenta.

É justamente nos setores taxados — como calçados, têxtil e plástico — que o efeito será sentido de forma concentrada. O que está em jogo:

  • Quando: reuniões começam nesta terça (21); a tarifa entra em vigor na quarta (22).
  • Setores ouvidos: calçados (Abicalçados), têxtil (Abit) e plástico (Abiplast).
  • Pelo governo: ministros Márcio Elias (MDIC) e Dario Durigan (Fazenda), e o vice Alckmin.
  • Objetivo: ampliar o Plano Brasil Soberano e definir medidas de crédito.
  • Impacto estimado: 18% das exportações aos EUA afetadas, segundo o MDIC.
  • Pauta isenta: 57% das exportações permanecem fora da sobretaxa.

O que é o Plano Brasil Soberano

O Plano Brasil Soberano é a resposta que o governo vem montando para amparar as empresas atingidas pela guerra comercial. A ideia central é oferecer linhas de crédito e medidas de apoio que ajudem os setores taxados a atravessar o período de perda de competitividade no mercado americano.

As reuniões desta semana servem justamente para calibrar esse plano: ouvir de cada setor onde o aperto será maior e desenhar respostas específicas. Calçados, têxtil e plástico são indústrias intensivas em mão de obra — ou seja, o risco não é apenas de receita, mas de emprego.

Vale lembrar o contexto mais amplo. A tarifa foi construída sob a chamada “Seção 301”, que apontou práticas brasileiras consideradas prejudiciais ao comércio digital e aos pagamentos eletrônicos — o Pix, em especial. O governo já sinalizou que não trata esse ponto como moeda de troca. O Minuto Atual acompanha os desdobramentos e informará sobre as medidas anunciadas ao fim das reuniões.

O calendário aperta: a tarifa entra em vigor na quarta, e a partir daí o efeito sobre os setores taxados deixa de ser hipótese e começa a aparecer em pedidos cancelados e receita perdida.

Enquanto isso, empresas dos setores taxados já operam no escuro sobre o tamanho real da perda, à espera das medidas que o governo deve anunciar após ouvir cada associação.

A expectativa é de que, ao fim das reuniões desta semana, o governo detalhe as linhas de crédito e os prazos das medidas de apoio, dando previsibilidade a empresas que precisam decidir agora como reorganizar produção e exportação diante da nova realidade tarifária.


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