Brasil

Operação Janus mira financiamento do PCC e ‘tribunais do crime’ em São Paulo

Por HAMLET 21/07/2026 2 semanas atras

O Ministério Público de São Paulo deflagrou nesta terça-feira (21) a Operação Janus, contra suspeitos de financiar o PCC e de operar os chamados “tribunais do crime”. Foram expedidos 18 mandados de prisão preventiva e 18 de busca e apreensão. Entre os alvos está um chefe da facção que, mesmo preso, continuava dando ordens.

Os alvos da operação

A ação foi deflagrada na manhã desta terça-feira contra suspeitos de financiar a facção e de operar os “tribunais do crime” — as reuniões em que o PCC julga e pune membros e moradores de áreas sob seu controle.

Ao todo, foram expedidos 18 mandados de prisão preventiva e 18 de busca e apreensão.

Entre os principais investigados estão Alexandre Salles Brito, o “Buiu”, Leonardo Monteiro Moja, o “Leo do Moinho”, apontado como chefe da facção, e o empresário Cléber Azevedo dos Santos.

Os “tribunais do crime” são uma das faces mais violentas da atuação da facção: reuniões clandestinas em que membros e moradores de áreas controladas pelo grupo são julgados e, muitas vezes, condenados sem qualquer garantia legal.

“Mesmo detido pela Operação Salus et Dignitas, “Leo do Moinho” manteve seu status de chefe da facção na Favela do Moinho, no centro de São Paulo, seguindo dando ordens da prisão.”

Ordens dadas de dentro da prisão

O registro acima expõe o cerne do caso. Segundo a investigação, “Leo do Moinho” usava uma estrutura complexa de imóveis e estabelecimentos comerciais para facilitar o tráfico de drogas e a lavagem de dinheiro — tudo comandado de dentro do presídio.

A Operação Janus é um desdobramento de investigações anteriores, batizadas de Bazar, Recidere e Salus et Dignitas. Ou seja: é mais um capítulo de uma apuração de fôlego sobre a estrutura financeira da facção. Os números da ação:

  • Operação: Janus, deflagrada pelo Ministério Público de SP nesta terça (21).
  • Mandados: 18 de prisão preventiva e 18 de busca e apreensão.
  • Alvos-chave: “Buiu”, “Leo do Moinho” e o empresário Cléber Azevedo dos Santos.
  • Foco: financiamento do PCC e os “tribunais do crime”.
  • Desdobramento: das operações Bazar, Recidere e Salus et Dignitas.
  • Estrutura: imóveis e comércios usados para tráfico e lavagem de dinheiro.

A conexão com a Polícia Militar

Há um desdobramento que dá gravidade extra ao caso. Uma investigação da Gaeco — o grupo de atuação especial de combate ao crime organizado — revelou conexões entre empresários investigados por crimes financeiros ligados ao PCC e oficiais de alta patente da Polícia Militar de São Paulo.

É o tipo de descoberta que aponta para além da facção: sugere que a estrutura de financiamento do crime organizado teria ramificações dentro das próprias forças de segurança. A apuração desse ponto segue em curso.

O Minuto Atual registra que as pessoas citadas como alvos da operação são investigadas, e que investigação não equivale a condenação. Os mandados foram expedidos pela Justiça a pedido do Ministério Público, e cabe agora ao Judiciário analisar as provas. Os citados terão direito a apresentar defesa. Novas informações sobre a operação serão acompanhadas.

O nome Janus, dado à operação, remete ao deus romano das duas faces — uma referência possível à dupla vida dos investigados, que manteriam fachada legal enquanto operavam o crime.

O Minuto Atual acompanha os desdobramentos da operação e informará sobre eventuais manifestações das defesas e novas fases da investigação.

Operações desse porte costumam mirar não apenas os executores do crime, mas a engrenagem financeira que o sustenta — o dinheiro que entra, é lavado e retorna para financiar novas atividades ilícitas. É esse fluxo que a Janus busca interromper.


facebook
Twitter
Follow
Pinterest

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *