Economia

Trump anuncia tarifa de 50% sobre o Canadá e escala a guerra comercial

Por HAMLET 21/07/2026 2 semanas atras

O presidente Donald Trump anunciou nesta segunda-feira (20) que vai impor uma tarifa de 50% sobre a maior parte dos produtos canadenses, em até 30 dias, a menos que o Canadá derrube o que os EUA chamam de barreiras comerciais “discriminatórias”. A medida atinge itens como tacos de hóquei, vinho e cimento, e cobre cerca de US$ 20 bilhões em importações anuais.

O que motivou a nova tarifa

Segundo a Casa Branca, a decisão foi uma resposta ao que os Estados Unidos classificam como barreiras “discriminatórias” do Canadá contra produtos americanos.

Um funcionário sênior do governo afirmou que Trump decidiu retaliar depois que quase todas as províncias canadenses suspenderam a venda de bebidas alcoólicas americanas — sem impor restrições semelhantes a bebidas de outros países.

Outro ponto citado: o Canadá impõe cotas tarifárias a importações de automóveis dos EUA, mas não de outros países, e taxou o queijo americano sem fazer o mesmo com o queijo da União Europeia.

O episódio se insere em uma disputa comercial que se arrasta há mais de um ano entre os dois vizinhos norte-americanos, com idas e vindas de tarifas, boicotes e retaliações.

“Trump anunciou que vai impor tarifas de 50% sobre a maior parte dos produtos canadenses em 30 dias, a menos que o Canadá derrube o que a administração chamou de barreiras comerciais discriminatórias contra produtos americanos.”

Os produtos e o mecanismo legal

A nova sobretaxa incide sobre uma lista específica de bens canadenses — entre eles tacos de hóquei, vinho e cimento — e cobre cerca de US$ 20 bilhões em importações anuais.

Há um detalhe técnico relevante: as tarifas serão aplicadas sob a Seção 338 da Lei Tarifária de 1930, uma autoridade legal que, segundo a apuração, nunca havia sido usada antes. Os pontos da medida:

  • Tarifa: 50% sobre a maior parte dos produtos canadenses.
  • Prazo: entra em vigor em até 30 dias.
  • Condição: o Canadá derrubar as barreiras que os EUA chamam de “discriminatórias”.
  • Produtos citados: tacos de hóquei, vinho e cimento, entre outros.
  • Valor: cerca de US$ 20 bilhões em importações anuais.
  • Base legal: a Seção 338 da Lei Tarifária de 1930, nunca antes usada.

Uma guerra comercial em várias frentes

O anúncio contra o Canadá marca uma escalada significativa em uma disputa comercial que já se arrastava. E ele não acontece isolado: é o mesmo governo que, nesta semana, coloca em vigor uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros.

O padrão se repete. Os Estados Unidos identificam o que consideram práticas comerciais desleais de um parceiro, anunciam sobretaxas elevadas e abrem prazo para negociação sob pressão. Canadá e Brasil enfrentam, cada um a seu modo, a mesma lógica.

Para o brasileiro, o caso canadense funciona como espelho e alerta. Mostra que a estratégia tarifária de Washington não é exclusiva contra o Brasil, e que as respostas de cada país — do boicote a bebidas, no caso canadense, à Lei da Reciprocidade, no brasileiro — ainda estão sendo testadas. O Minuto Atual acompanha os desdobramentos das duas frentes.

O uso inédito da Seção 338 chama atenção de juristas e analistas de comércio internacional, por ampliar o arsenal legal que o governo americano pode acionar em disputas futuras — inclusive contra outros parceiros comerciais.

Para o Brasil, o caso serve de referência sobre como responder a Washington: o Canadá aposta no boicote e na retaliação direta, enquanto o governo brasileiro ainda avalia o uso da Lei da Reciprocidade.

O desfecho, em ambos os casos, dependerá menos de discursos e mais do que acontece nas mesas de negociação nas próximas semanas — e do quanto cada país está disposto a ceder para evitar que a guerra comercial cobre seu preço em empregos e crescimento.


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