Metade dos usuários de apps de namoro no Brasil topariam encontros com IAs, aponta estudo
A inteligência artificial invadiu os aplicativos de namoro — e a aceitação surpreende. Mais de 63% dos usuários brasileiros topariam encontros com inteligências artificiais em busca da certeza de reciprocidade. O uso de IA no namoro saltou 333% em um ano, e 16% dos solteiros já se envolvem com uma IA como companhia romântica. Os números acendem um alerta.
Os números do fenômeno
O crescimento é expressivo. Segundo o levantamento, o uso de IA no namoro saltou 333% de um ano para o outro. Hoje, 16% dos solteiros já se envolvem com uma IA como companheira romântica.
Um pouco mais de um quarto (26%) dos solteiros já usa inteligência artificial para dar uma força na vida amorosa — mesmo aumento de 333% em relação a 2024.
E há o dado mais chamativo: mais de 63% dos usuários brasileiros topariam encontros com inteligências artificiais, em busca da certeza de reciprocidade.
Os dados fazem parte de levantamentos sobre comportamento de usuários de aplicativos de relacionamento, um mercado que movimenta bilhões e que vem incorporando inteligência artificial em ritmo acelerado.
“Mais de 63% dos usuários brasileiros apostariam em encontros com inteligências artificiais para ter a certeza de reciprocidade. No entanto, 82% dos entrevistados disseram se sentir solitários na rotina.”
Ferramenta ou substituição?
O contraste no trecho acima é o que dá peso ao tema. De um lado, a disposição de se relacionar com uma IA; de outro, 82% dizendo se sentir solitários. Os dois dados, juntos, sugerem uma busca por preenchimento emocional.
Boa parte do uso, porém, ainda é como ferramenta de apoio, e não como substituição. Quase metade (44%) dos solteiros gostaria de usar IA para filtrar matches, e 40% querem ajuda para melhorar seus perfis. Como a IA entra no namoro:
- Crescimento: uso de IA no namoro saltou 333% em um ano.
- Companhia romântica: 16% dos solteiros já se envolvem com uma IA.
- Uso geral: 26% já usam IA para ajudar na vida amorosa.
- Encontros com IA: 63% dos usuários brasileiros topariam.
- Solidão: 82% dizem se sentir solitários na rotina.
- Como ferramenta: 44% querem filtrar matches; 40%, melhorar o perfil.
O ‘dating burnout’ e a preocupação
Os aplicativos vêm apostando na IA para atacar o chamado dating burnout — o esgotamento causado pelo uso contínuo dessas plataformas. A promessa é reduzir o cansaço, filtrar melhor os pares e otimizar o tempo do usuário.
Mas o fenômeno acende um alerta que vai além da conveniência. Quando 16% dos solteiros já tratam uma IA como companhia romântica e 82% se dizem solitários, a pergunta que especialistas levantam é se a tecnologia está ajudando a resolver a solidão ou apenas a acomodá-la — oferecendo um substituto que nunca frustra, mas também nunca é real.
A reciprocidade garantida que atrai os usuários é, ao mesmo tempo, o que preocupa: uma relação sem atrito é confortável, mas o atrito é parte do que torna as relações humanas reais. O debate está apenas começando, e envolve tecnologia, psicologia e comportamento. Por ora, o que os números mostram é uma mudança rápida na forma como parte dos solteiros brasileiros busca — e talvez redefina — o que é se relacionar.
Psicólogos ouvidos sobre o tema costumam alertar para o risco de a IA oferecer uma versão idealizada e sem atrito das relações — confortável, mas incapaz de preparar a pessoa para os desafios reais do convívio humano.
O fenômeno ainda é recente, e seus efeitos de longo prazo sobre a forma como as pessoas se relacionam são desconhecidos. O que os números já mostram é uma mudança de comportamento rápida e ampla entre os solteiros brasileiros.
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