Economia

Tarifaço dos EUA entra em vigor nesta quarta; veja o que muda e quem escapou

Por HAMLET 22/07/2026 2 semanas atras

A tarifa adicional de 25% dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros passa a valer nesta quarta-feira (22). Um item que hoje paga 5% de imposto de importação passará a pagar 30%. A medida atinge setores como calçados, vestuário, autopeças e máquinas — mas café, carne bovina e suco de laranja ficaram de fora. O Brasil virou o segundo país mais taxado pelos EUA.

O que muda na prática

A partir desta quarta-feira, os Estados Unidos passam a cobrar 25% a mais sobre parte dos produtos importados do Brasil. A tarifa se soma ao imposto de importação que já existia.

O efeito é direto: um produto que hoje paga 5% de imposto passará a pagar 30%. Para o exportador brasileiro, significa perder competitividade no mercado americano.

Há uma regra de transição. Produtos que já estiverem embarcados antes de 22 de julho podem escapar da sobretaxa, desde que entrem nos Estados Unidos até 29 de julho.

A regra de transição é uma janela estreita, mas importante: dá fôlego às cargas que já estavam a caminho quando a tarifa foi confirmada, evitando que exportadores sejam pegos de surpresa com mercadorias em alto-mar.

“A tarifa será aplicada às mercadorias importadas ou retiradas de armazéns para consumo a partir da data de vigência, mas produtos já embarcados antes de 22 de julho poderão ficar livres da sobretaxa, desde que ingressem nos Estados Unidos até 29 de julho.”

Quem é taxado e quem escapou

O trecho acima explica a regra de transição. Mas a pergunta que interessa a cada setor é outra: estou na lista?

São taxados produtos de segmentos como calçados, vestuário, autopeças, máquinas, equipamentos elétricos, químicos, plásticos, madeira e rochas ornamentais.

Já a lista de exceções preserva boa parte da pauta de maior valor: café verde, torrado e solúvel, carne bovina, suco de laranja, aeronaves civis e componentes, mel orgânico, ferro-gusa, hidróxido de alumínio, pescados, couros, produtos farmacêuticos e até obras de arte. O resumo:

  • Tarifa: 25% adicionais, a partir de 22 de julho.
  • Efeito: um produto que pagava 5% passa a pagar 30%.
  • Transição: embarcados antes de 22/07 escapam se entrarem nos EUA até 29/07.
  • Taxados: calçados, vestuário, autopeças, máquinas, plásticos, madeira e químicos.
  • Isentos: café, carne bovina, suco de laranja, aviões, remédios e pescados.
  • Posição: o Brasil passou a ser o segundo país mais taxado pelos EUA.

Por que a tarifa foi imposta

A medida não é apenas comercial. O relatório do USTR — o escritório de comércio dos Estados Unidos — que embasou a tarifa cita como alvos temas que vão muito além de balança comercial: o Pix, o comércio digital, tarifas preferenciais, combate à corrupção, propriedade intelectual, acesso ao mercado de etanol e desmatamento ilegal.

O Pix, em especial, aparece no centro da disputa. O sistema de pagamentos instantâneos e gratuito do Banco Central se tornou referência mundial, e os Estados Unidos o citam como prática que prejudicaria o comércio digital americano. O governo brasileiro já sinalizou que não trata o tema como moeda de troca.

Do lado brasileiro, o governo iniciou reuniões com os setores taxados — calçados, têxtil e plástico — para desenhar medidas de crédito e apoio dentro do chamado Plano Brasil Soberano. A resposta oficial via Lei da Reciprocidade segue em avaliação. O Minuto Atual acompanha os desdobramentos e reproduz aqui as informações divulgadas pelas fontes oficiais e pela imprensa; os efeitos concretos sobre exportações e emprego só poderão ser medidos nas próximas semanas.

A condição de segundo país mais taxado pelos Estados Unidos coloca o Brasil em um grupo restrito e indesejado, e sinaliza o peso político que a medida carrega — vai além da economia e toca em temas de soberania e regulação interna.


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