Economia

IPCA-15 surpreende com alta de apenas 0,06% e abre caminho para corte da Selic em agosto

Por HAMLET 29/07/2026 1 semana atras

O IPCA-15 de julho, divulgado nesta segunda-feira (28), registrou alta de apenas 0,06% — bem abaixo das projeções do mercado, que esperavam algo entre 0,19% e 0,22%. O resultado surpreendeu positivamente e consolidou a expectativa de que o Banco Central reduzirá a taxa Selic em 0,25 ponto percentual na reunião do Copom dos dias 4 e 5 de agosto, levando os juros de 14,25% para 14,00% ao ano.

O que mostrou o IPCA-15 de julho

O IPCA-15 é uma prévia da inflação oficial medida pelo IBGE — funciona como um termômetro antecipado do que o IPCA cheio deve registrar no fechamento do mês.

Em julho, o índice ficou em 0,06%, um resultado significativamente menor do que o esperado. O principal fator de alívio foi a queda nos preços do grupo de alimentação e bebidas, que recuou 0,66% — puxado pela baixa nos preços de alimentos in natura, como frutas, verduras e legumes, favorecidos por condições climáticas melhores.

Por outro lado, o grupo de habitação exerceu pressão de alta, influenciado principalmente pelo aumento na conta de energia elétrica, com a mudança de bandeira tarifária. Mesmo assim, o saldo final ficou bem abaixo do esperado.

“O IPCA-15 de julho ficou em 0,06%, bem abaixo das projeções do mercado, que giravam entre 0,19% e 0,22%. O resultado foi impulsionado pela queda de 0,66% no grupo de alimentação e bebidas, segundo o IBGE.”

O impacto na Selic: corte quase certo em agosto

Com a inflação mostrando desaceleração, a expectativa do mercado financeiro se consolidou: o Copom (Comitê de Política Monetária) deve promover um corte de 0,25 ponto percentual na taxa Selic na reunião marcada para 4 e 5 de agosto.

Se confirmado, os juros básicos da economia cairiam de 14,25% para 14,00% ao ano. Analistas apontam, no entanto, que este pode ser o último corte do ciclo atual de flexibilização — pelo menos por enquanto.

A mediana das projeções do Relatório Focus, pesquisa semanal do Banco Central com economistas, indica que a Selic deve encerrar 2026 exatamente em 14,00%. Isso sugere que, após o corte de agosto, o BC deve fazer uma pausa para avaliar os efeitos acumulados. Os dados:

  • IPCA-15 de julho: alta de 0,06% — abaixo das projeções de 0,19% a 0,22%.
  • Alimentação e bebidas: queda de 0,66%, principal fator de alívio.
  • Habitação: alta, pressionada pela conta de energia elétrica.
  • Selic atual: 14,25% ao ano.
  • Projeção para agosto: corte de 0,25 ponto, para 14,00% ao ano.
  • Inflação acumulada em 12 meses: 4,52% — próxima ao teto da meta.

O que muda para o bolso do brasileiro

Um corte na Selic, mesmo pequeno, tem efeito cascata sobre a economia. Juros menores significam crédito mais barato — financiamentos imobiliários, empréstimos pessoais e cartões de crédito tendem a ficar menos caros, ainda que com atraso. Para quem investe em renda fixa, como CDBs, Tesouro Direto e poupança, o rendimento cai.

Mas é preciso cautela. A inflação acumulada em 12 meses (4,52%) ainda está próxima ao teto da meta do Banco Central. Isso significa que o espaço para novos cortes é limitado: um alívio exagerado nos juros poderia reacender a inflação antes que ela esteja efetivamente sob controle.

O cenário externo também pesa. A decisão do Federal Reserve (banco central dos EUA), esperada para esta quarta-feira (30), pode influenciar o BC brasileiro. Se o Fed mantiver os juros altos nos Estados Unidos, o diferencial de juros entre Brasil e EUA diminui — o que pode enfraquecer o real e, indiretamente, pressionar a inflação por aqui.

Para o consumidor, o dado do IPCA-15 é uma boa notícia no curto prazo: os alimentos ficaram mais baratos, e isso se reflete diretamente na feira e no supermercado. Mas o alívio pode ser temporário se a energia seguir pressionando e se o câmbio não ajudar.

O Minuto Atual reproduz os dados do IBGE e as projeções do mercado financeiro. A decisão oficial do Copom sairá no dia 5 de agosto, e os números definitivos da inflação de julho (IPCA cheio) serão divulgados pelo IBGE na segunda semana de agosto.


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