Dólar cai a R$ 5,10 e Ibovespa salta quase 3% com inflação abaixo do esperado
O IPCA de junho veio abaixo das expectativas e destravou o mercado brasileiro na sexta-feira (10). O Ibovespa disparou 2,97%, aos 177.866,37 pontos — o maior nível desde 21 de maio. O dólar caiu 0,31% e fechou a R$ 5,108, o menor valor desde 16 de junho, na terceira queda seguida da moeda americana.
O gatilho: a inflação veio menor que o previsto
O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) fechou junho com alta de 0,16%, depois de ter subido 0,58% em maio. O resultado levou a inflação acumulada em 12 meses para 4,64%, ante 4,72% no mês anterior.
O número veio abaixo das expectativas do mercado. E foi justamente esse alívio que reforçou, entre os investidores, a perspectiva de novos cortes na Selic, a taxa básica de juros da economia brasileira. Inflação menor abre espaço para juros menores — e essa leitura foi o principal motor do desempenho dos ativos domésticos no pregão.
“O principal fator para o desempenho dos ativos domésticos foi a divulgação do IPCA de junho, que veio abaixo das expectativas e reforçou a perspectiva de novos cortes na taxa Selic.”
Os números do pregão de sexta-feira
O Ibovespa avançou 2,97%, aos 177.866,37 pontos, e encerrou o dia na máxima, com praticamente todas as ações no campo positivo. É o maior patamar do índice desde 21 de maio.
No câmbio, o dólar recuou R$ 0,014 (-0,31%) e fechou cotado a R$ 5,108 — o menor valor de fechamento desde 16 de junho. Foi a terceira sessão consecutiva de queda da moeda americana. O desempenho no acumulado é ainda mais expressivo:
- IPCA de junho: alta de 0,16%, ante 0,58% em maio.
- Inflação em 12 meses: caiu para 4,64%, vindo de 4,72%.
- Ibovespa: +2,97%, aos 177.866,37 pontos — maior nível desde 21 de maio.
- Dólar: fechou a R$ 5,108 (-0,31%), menor valor desde 16 de junho.
- Na semana: a moeda americana acumulou desvalorização de 1,18%.
- No ano: o dólar acumula queda de 6,94% em 2026.
O que muda para quem não investe na Bolsa
A leitura do mercado é direta: inflação em desaceleração fortalece a aposta em cortes de juros pelo Copom. Se a Selic cair, o crédito tende a ficar menos caro — o que afeta financiamentos, empréstimos e o custo de rolagem das dívidas das empresas.
Já o dólar em R$ 5,10 pesa sobre tudo o que o país importa. Combustíveis, eletrônicos, remédios e insumos industriais são precificados em moeda estrangeira, e um câmbio mais baixo alivia essa conta. O repasse à prateleira não é imediato, mas costuma aparecer nas semanas seguintes.
Vale registrar o que os números não dizem. Um IPCA benigno em um único mês não garante a trajetória dos meses seguintes, e a decisão sobre a Selic cabe ao Copom, que avalia um conjunto muito maior de indicadores. O movimento de sexta-feira reflete a expectativa do mercado — não uma decisão tomada.
Para quem tem dívida atrelada a juros — cartão, cheque especial, crédito pessoal — a expectativa de Selic menor é a notícia mais relevante do pacote. Mas o efeito só se materializa se o corte de fato ocorrer e for repassado pelos bancos, o que não é automático nem imediato.
Já quem planeja viagem internacional ou compra em site estrangeiro sente o câmbio mais rápido: o dólar acumula queda de 6,94% em 2026, e uma moeda em R$ 5,10 significa, na prática, alguns reais a menos em cada dólar convertido — ainda que IOF e spread das casas de câmbio pesem mais que a variação diária.
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