Brasil

“Não aguento mais mineiros enrolados”: PF revela diálogos de Cunha sobre destino de emendas

Por HAMLET 14/07/2026 3 semanas atras

A Polícia Federal interceptou diálogos em que o ex-deputado federal Eduardo Cunha (Republicanos) reclama de prefeitos mineiros e pede o redirecionamento de uma emenda parlamentar destinada a Governador Valadares para outro município de Minas Gerais. Segundo a PF, ele coordenava diretamente o destino de ao menos 29 emendas da Comissão de Saúde da Câmara, no valor de R$ 6,1 milhões. A defesa nega irregularidades.

O que mostram as mensagens

As conversas foram trocadas com a servidora Mariângela Fialek, conhecida como Tuca, e integram uma investigação sobre possível direcionamento irregular de recursos públicos.

Nas mensagens, Cunha solicita a troca de Governador Valadares por outra cidade do estado na lista de destinatários das verbas. A análise das mensagens entre os dois, segundo a PF, mostra que o ex-deputado coordenava diretamente a destinação de ao menos 29 emendas da Comissão de Saúde da Câmara, somando R$ 6,1 milhões.

O caso corre no Supremo Tribunal Federal. Além da investigação em si, o ministro Flávio Dino determinou o bloqueio de R$ 6,1 milhões em bens de Eduardo Cunha — valor que corresponde ao montante das emendas sob suspeita.

Emendas parlamentares são recursos do Orçamento da União que os congressistas indicam para destinos específicos, como prefeituras e unidades de saúde. O que a investigação apura não é a existência das emendas em si, mas se a escolha de quem recebia o dinheiro obedecia a critérios técnicos ou a interesses políticos do ex-deputado.

“Não aguento mais mineiros enrolados.”

O papel apontado para “Tuca”

A frase acima, atribuída a Cunha em uma das conversas interceptadas, virou o símbolo do caso. Ela aparece no contexto da reclamação sobre os prefeitos mineiros e do pedido de remanejamento das verbas.

A investigação aponta Mariângela Fialek, a Tuca, como a responsável por operar o direcionamento dos recursos. De acordo com a PF, as verbas eram distribuídas conforme os interesses políticos do ex-deputado no estado.

Os números do caso:

O montante citado na investigação — R$ 6,1 milhões — não é aleatório: corresponde exatamente ao valor que o ministro Flávio Dino mandou bloquear em bens do ex-deputado. Ou seja, a medida judicial espelha, em bens, o total das emendas que a PF aponta como direcionadas.

  • Emendas sob suspeita: ao menos 29, da Comissão de Saúde da Câmara.
  • Valor: R$ 6,1 milhões.
  • Pedido registrado: trocar Governador Valadares por outro município na lista.
  • Operadora apontada: a servidora Mariângela Fialek, conhecida como Tuca.
  • Critério alegado pela PF: distribuição conforme interesses políticos do ex-deputado.
  • Medida judicial: o ministro Flávio Dino determinou o bloqueio de R$ 6,1 milhões em bens de Cunha.

O que diz a defesa

Em nota, a defesa de Eduardo Cunha nega que ele tenha cometido irregularidades e afirma que vai contestar a decisão do Supremo Tribunal Federal.

Os advogados sustentam que as emendas citadas na investigação foram oficialmente apresentadas e indicadas por congressistas, bancadas ou órgãos legitimados — ou seja, que seguiram o rito formal previsto e não configurariam direcionamento irregular.

O caso segue em curso. As conclusões da Polícia Federal, apresentadas ao STF, ainda serão apreciadas pela Justiça, e as alegações da defesa serão analisadas no âmbito do processo. Vale registrar que a existência de uma investigação e de diálogos interceptados não equivale a condenação: cabe ao Judiciário decidir se houve, de fato, irregularidade na destinação das verbas.

Eduardo Cunha é uma figura conhecida do noticiário político brasileiro: ex-presidente da Câmara dos Deputados, foi ele quem deu andamento ao processo de impeachment de Dilma Rousseff, em 2015, antes de ser cassado e preso na Operação Lava Jato. O novo caso, no entanto, é independente daquele e trata especificamente da destinação de emendas parlamentares da Comissão de Saúde.

O Minuto Atual não teve acesso à íntegra dos diálogos interceptados, cujo teor foi divulgado pela imprensa a partir de documentos da investigação da Polícia Federal.


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