Tarifaço dos EUA: veja quais produtos brasileiros serão taxados e quais ficaram de fora
Os Estados Unidos formalizaram a tarifa de 25% sobre importações do Brasil, com início previsto para 22 de julho. Mas a lista de exceções é grande: mais de 2 mil categorias ficaram isentas, incluindo carne bovina, café, suco de laranja e o setor aeroespacial. Seguem taxados etanol, calçados, vestuário, açúcar, papel e máquinas agrícolas.
O que foi taxado
A medida é resultado de uma investigação da chamada “Seção 301”, que apontou práticas comerciais consideradas desleais e políticas brasileiras vistas como prejudiciais ao comércio digital, aos pagamentos eletrônicos e ao meio ambiente.
Entre os produtos que permanecem sujeitos à nova tarifa de 25% estão: etanol, máquinas agrícolas, calçados, vestuário, açúcar, papel e diversos produtos químicos.
A tarifa tem início previsto para 22 de julho de 2026.
A “Seção 301” é o instrumento da legislação americana que permite ao país retaliar práticas comerciais consideradas prejudiciais aos seus interesses. Foi por esse caminho que a tarifa foi construída.
“A maior parte das exceções está concentrada na lista geral, que reúne 865 códigos tarifários, com itens como carnes bovinas, peixes, café, suco de laranja, minérios, couros e madeiras tropicais.”
A longa lista de exceções
O trecho acima mostra o tamanho do alívio. Mais de 2 mil categorias de produtos brasileiros ficaram isentas da sobretaxa — e a lógica das exceções revela o interesse americano em jogo.
A isenção da carne brasileira, por exemplo, foi mantida devido à disponibilidade limitada do produto fora do Brasil. O hidróxido de alumínio escapou porque o Brasil fornece cerca de 40% desse insumo aos Estados Unidos. Ou seja: Washington poupou o que não pode encarecer em casa.
O recorte revela a assimetria da medida: os Estados Unidos taxaram o que podem substituir e pouparam o que dependem de comprar do Brasil.
Os isentos incluem:
- Lista geral: 865 códigos tarifários, com carnes, peixes, café, suco de laranja, minérios, couros e madeiras tropicais.
- Aeroespacial: cerca de 540 códigos, incluindo aeronaves civis, motores e componentes.
- Farmacêuticos: medicamentos e ingredientes ativos ficaram fora da sobretaxa.
- Metais: ferro-gusa e resíduos de ferro e aço não serão tarifados.
- Alumínio: hidróxido de alumínio isento — o Brasil fornece 40% do insumo aos EUA.
- Pescados: atum, cavala, espadarte, tilápia e lagostas estão isentos.
O que muda na prática
A dimensão real do tarifaço depende justamente do peso das exceções. Ao poupar carne bovina, café, suco de laranja, minérios e todo o setor aeroespacial, os Estados Unidos deixaram de fora boa parte dos produtos de maior valor da pauta exportadora brasileira.
Sobram, no entanto, setores relevantes e que empregam muita gente: calçados, vestuário, açúcar, etanol, papel e máquinas agrícolas seguem sujeitos aos 25%. Para essas indústrias, a sobretaxa significa perda direta de competitividade no mercado americano a partir de 22 de julho.
Curiosidades da lista também chamam atenção, como a menção específica ao café instantâneo não aromatizado e ao mel orgânico entre os itens destacados nas exceções — sinal do nível de detalhamento com que a medida foi calibrada. O Minuto Atual acompanha os desdobramentos, inclusive eventuais negociações para ampliar a lista de isenções, movimento que já ocorreu em rodadas anteriores de tarifas entre os dois países.
O calendário agora corre contra os exportadores dos setores taxados. Faltam poucos dias para 22 de julho, e o tempo restante tende a ser usado em tentativas de última hora de negociar novas isenções junto às autoridades americanas.
Vale lembrar o histórico recente: em rodadas anteriores de sobretaxas entre os dois países, a lista de produtos excluídos cresceu ao longo do tempo, após negociações que envolveram autoridades brasileiras, exportadores e empresas americanas dependentes de insumos do Brasil. É essa a aposta do governo brasileiro também agora.
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