Economia

Dólar cai para R$ 5,123, o menor nível em três semanas, e Bolsa sobe 1,22%

Por HAMLET 10/07/2026 4 semanas atras

O dólar à vista fechou a quinta-feira (9) cotado a R$ 5,123, em queda de 0,5%, no menor patamar desde 17 de junho. O Ibovespa interrompeu uma sequência de três quedas seguidas e subiu 1,22%, aos 172.742,12 pontos. Tudo isso em um pregão de liquidez reduzida por causa do feriado estadual em São Paulo — e sob o barulho do conflito entre Estados Unidos e Irã.

Os números do pregão

A moeda americana recuou R$ 0,029 ao longo do dia. Durante a sessão, o dólar chegou a bater a máxima de R$ 5,155, mas perdeu força e encerrou perto da mínima do dia, de R$ 5,113.

Já a Bolsa brasileira reagiu depois de três sessões consecutivas no vermelho. O Ibovespa fechou aos 172.742,12 pontos, alta de 1,22%. Apesar do feriado em São Paulo, em comemoração à Revolução Constitucionalista de 1932, a B3 funcionou normalmente — o pregão apenas registrou menor volume de negócios que o habitual.

“A correção ocorreu apesar da continuidade dos ataques entre Estados Unidos e Irã e das dificuldades no tráfego marítimo pelo Estreito de Ormuz, rota por onde passa cerca de 20% do petróleo comercializado no mundo.”

Por que o dólar caiu mesmo com guerra no Oriente Médio

O trecho acima é do relatório de mercado da Agência Brasil sobre o pregão. E ele explica a aparente contradição do dia: normalmente, tensão geopolítica empurra investidores para o dólar. Desta vez, aconteceu o contrário.

Os Estados Unidos anunciaram, na quarta-feira (8), novos ataques contra o Irã para manter o Estreito de Ormuz aberto. O mercado, porém, leu o movimento como redução do risco de desabastecimento — e o petróleo tipo Brent devolveu o estresse do dia anterior, fechando em queda de 2,20%, cotado a US$ 76,30 o barril.

O desempenho do Ibovespa acompanhou o avanço das bolsas norte-americanas e foi favorecido pela redução dos prêmios de risco no mercado internacional. Veja o resumo do dia:

  • Dólar: fechou a R$ 5,123, queda de 0,5% — menor fechamento desde 17 de junho.
  • Máxima e mínima: a moeda oscilou entre R$ 5,155 e R$ 5,113 ao longo da sessão.
  • Ibovespa: alta de 1,22%, aos 172.742,12 pontos, após três quedas consecutivas.
  • Petróleo Brent: queda de 2,20%, a US$ 76,30 o barril.
  • Liquidez: volume reduzido por causa do feriado estadual em São Paulo.

O que isso significa para o seu bolso

Dólar mais barato tende a aliviar a conta de tudo que o Brasil importa — de combustíveis e fertilizantes a eletrônicos, remédios e insumos industriais. O efeito não é imediato na prateleira, mas costuma aparecer nas semanas seguintes, sobretudo em produtos com forte componente importado.

Para quem planeja viajar ao exterior ou fazer compras em sites internacionais, uma moeda em R$ 5,12 significa alguns reais a menos em cada dólar convertido, ainda que o IOF e o spread das casas de câmbio pesem mais que a variação diária da cotação.

Há também um dado estrutural que joga a favor do real neste momento: o país reverteu a perda acumulada e registrou a maior entrada de dólares em um primeiro semestre nos últimos oito anos. Fluxo de moeda estrangeira entrando é, na prática, oferta de dólar no mercado — e oferta maior costuma significar preço menor.

Vale, no entanto, a cautela. O movimento de quinta-feira foi de correção, não necessariamente de mudança de tendência. Enquanto o conflito no Oriente Médio seguir indefinido e o tráfego pelo Estreito de Ormuz continuar sob risco, o câmbio segue exposto a solavancos — e uma única manchete pode devolver o dólar ao patamar anterior em questão de horas.

O próximo teste do mercado é a divulgação da inflação oficial, que consta da agenda econômica. Um número acima do esperado tende a reacender o debate sobre o ritmo de corte de juros pelo Copom, o que mexe diretamente com a atratividade do real para o investidor estrangeiro.


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