Economia

Dólar sobe a R$ 5,09 e Ibovespa despenca 1,24% com o tarifaço confirmado

Por HAMLET 17/07/2026 3 semanas atras

O dólar fechou a quinta-feira (16) cotado a R$ 5,098, em alta de 0,4%, depois de chegar a bater R$ 5,11 durante o pregão. O Ibovespa desabou 1,24%, aos 173.825,27 pontos. O motivo é o mesmo dos dois lados: a confirmação da tarifa de 25% dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros, que começa a valer em 22 de julho.

Os números do pregão

A moeda americana subiu R$ 0,021 (+0,4%) e encerrou o dia a R$ 5,098. O pico veio por volta das 14h15, quando o dólar chegou a R$ 5,11, mas a alta perdeu força nas horas finais de negociação.

O Ibovespa teve dia bem pior: caiu 1,24%, fechando aos 173.825,27 pontos.

É uma virada de humor em relação ao início da semana, quando o dólar havia caído a R$ 5,07 e a Bolsa vinha se recuperando.

O movimento contrasta com o da véspera, quando a inflação mais fraca nos Estados Unidos havia derrubado a moeda americana. Bastou a confirmação da tarifa para o cenário virar.

“A alta do dólar refletiu o fortalecimento da moeda americana no exterior e os efeitos das tarifas confirmadas dos EUA sobre as exportações brasileiras.”

O tarifaço no centro do movimento

A avaliação acima resume o que moveu o mercado. Não era mais expectativa: a tarifa de 25% foi formalizada, com data marcada para 22 de julho, e o mercado precificou o impacto.

O nervosismo tem dois componentes. O primeiro é o efeito direto sobre os setores taxados — etanol, calçados, vestuário, açúcar, papel e máquinas agrícolas, entre outros. O segundo é a incerteza sobre a resposta brasileira, com a Lei da Reciprocidade no radar.

O resumo do dia:

  • Dólar: fechou a R$ 5,098, alta de R$ 0,021 (+0,4%).
  • Pico: chegou a R$ 5,11 por volta das 14h15.
  • Ibovespa: caiu 1,24%, aos 173.825,27 pontos.
  • Causa 1: confirmação da tarifa de 25% dos EUA sobre o Brasil.
  • Causa 2: incerteza sobre a resposta brasileira via Lei da Reciprocidade.
  • Início da tarifa: 22 de julho de 2026.

O que observar agora

A reação do mercado mostra que, mesmo com a extensa lista de exceções divulgada pelos Estados Unidos — que poupou carne bovina, café, suco de laranja e todo o setor aeroespacial —, a tarifa de 25% preocupa.

O ponto é que os setores que seguem taxados empregam muita gente. Calçados, vestuário e açúcar são intensivos em mão de obra, e a perda de competitividade no mercado americano tem efeito concreto sobre empregos e receita dessas indústrias.

A outra variável é a resposta brasileira. A chamada Lei da Reciprocidade permite ao Brasil retaliar medidas comerciais consideradas unilaterais. Uma escalada nesse sentido tende a aumentar a incerteza — e mercado com incerteza costuma significar dólar mais caro e Bolsa mais nervosa. Os primeiros números concretos do impacto só devem aparecer semanas depois de 22 de julho, quando a medida entrar efetivamente em vigor.

Para o consumidor, a conta chega por dois caminhos. O primeiro é o câmbio: dólar mais caro encarece importados. O segundo é indireto: se setores exportadores perderem receita, o efeito aparece em emprego e renda nas regiões que dependem dessas indústrias.

O tripé que deve ditar o mercado nos próximos dias é conhecido: tarifas, câmbio e petróleo — este último ainda pressionado pela crise entre Estados Unidos e Irã.

Vale registrar o que a oscilação não significa: uma alta de 0,4% em um dia não caracteriza disparada nem crise cambial. O que chama atenção é a mudança de direção, e o motivo dela — uma decisão tomada em Washington que atinge diretamente a pauta exportadora brasileira.

Os próximos pregões dirão se o mercado já digeriu a notícia ou se o nervosismo persiste até a entrada em vigor da medida.


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