EUA devem impor tarifa de 25% sobre produtos brasileiros; veja o que fica de fora
O governo de Donald Trump deve impor uma tarifa adicional de 25% sobre parte dos produtos importados do Brasil. A medida pode atingir cerca de 21% das exportações brasileiras aos Estados Unidos, mas deve preservar mercadorias cuja taxação elevaria a inflação americana. A conclusão da investigação comercial estava prevista para esta quarta-feira (15).
O que se sabe sobre a tarifa
A tarifa de 25% miraria os produtos brasileiros de forma ampla, mas com exceções calculadas. Segundo a apuração, a medida pode atingir aproximadamente 21% das exportações brasileiras destinadas ao mercado norte-americano.
A lógica das exceções é de interesse próprio dos Estados Unidos: ficam preservadas as mercadorias cuja taxação teria potencial de elevar a inflação lá dentro. Ou seja, Washington evita encarecer o que o próprio consumidor americano precisa.
A conclusão de uma investigação comercial conduzida pelo USTR, o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos, estava prevista para o período entre a noite de terça e a quarta-feira, 15 de julho.
O episódio se soma a um histórico recente de atritos comerciais entre os dois países. A cada rodada de sobretaxas, o governo brasileiro e o setor exportador correm para negociar exceções, num vaivém que já se tornou familiar na relação entre Brasília e Washington.
“A proposta mira bens brasileiros de forma ampla, mas prevê exceções para produtos relevantes da pauta exportadora, como carne bovina, café, terras raras, energia, peças de aeronaves e alguns metais.”
O que deve ficar de fora
A lista de exceções acima é decisiva para medir o tamanho real do impacto. Produtos de peso da pauta exportadora brasileira — carne bovina, café, terras raras, energia, peças de aeronaves e alguns metais — devem escapar da sobretaxa.
Não por generosidade: são justamente os itens cuja falta ou encarecimento pressionaria os preços nos Estados Unidos. É o interesse americano protegendo a pauta brasileira, por tabela.
O que está em jogo:
- Tarifa: adicional de 25% sobre parte dos produtos brasileiros.
- Alcance: pode atingir cerca de 21% das exportações do Brasil aos EUA.
- Exceções esperadas: carne bovina, café, terras raras, energia, peças de aeronaves e metais.
- Critério das exceções: evitar elevar a inflação nos próprios Estados Unidos.
- Órgão responsável: USTR, o Representante Comercial dos EUA.
- Prazo: conclusão da investigação prevista para 15 de julho.
A aposta do Brasil na negociação
O governo brasileiro aposta na possibilidade de ampliar progressivamente a lista de produtos protegidos da tarifa. A referência é recente: no tarifaço aplicado pelos Estados Unidos no ano passado, a relação de mercadorias excluídas da sobretaxa aumentou ao longo do tempo.
Esse alargamento das exceções veio de negociações que envolveram não só autoridades brasileiras, mas também empresas exportadoras e companhias norte-americanas dependentes de produtos fabricados no Brasil. É uma pressão que funciona nos dois lados da fronteira.
Para a economia brasileira, o efeito da tarifa depende diretamente de quanto da pauta exportadora ficará de fora. Uma sobretaxa de 25% que poupe carne, café e energia tem impacto muito menor do que uma tarifa linear. O mercado acompanha de perto, porque a medida mexe com câmbio, com o custo do frete e, indiretamente, com a inflação. Esta reportagem será atualizada conforme a decisão final for divulgada.
Enquanto a decisão final não sai, o setor exportador vive na expectativa. Empresas que vendem aos Estados Unidos monitoram cada sinal de Washington, porque uma sobretaxa de 25% pode significar a diferença entre manter ou perder competitividade no mercado americano.
O Minuto Atual acompanha os desdobramentos e informará assim que a decisão final dos Estados Unidos for oficializada, com a lista definitiva de produtos taxados e poupados.
Deixe um comentário