PF aponta que ex-presidente do INSS recebia até R$ 250 mil por mês em propina
A Polícia Federal aponta que o ex-presidente do INSS Alessandro Stefanutto recebia propina “recorrente” para facilitar fraudes contra aposentados e pensionistas. Segundo o relatório final da Operação Sem Desconto, entregue ao STF na terça-feira (14), o pagamento mensal chegou a R$ 250 mil após ele assumir a presidência do órgão. A investigação indiciou 48 pessoas.
Os códigos da propina
De acordo com a PF, para disfarçar as entregas de dinheiro vivo — em pacotes de R$ 50 mil ou R$ 100 mil — as conversas usavam códigos. Expressões como “pendrive com processo para analisar” e “encomenda” serviam para mascarar os repasses.
As vantagens indevidas, porém, não vinham só em espécie. Segundo a investigação, também foram pagas por meio de cheques e transferências via Pix.
O relatório aponta que o valor mensal cresceu de forma significativa e chegou a R$ 250 mil depois que Stefanutto assumiu a presidência do INSS.
“Os achados constam do primeiro relatório final da Operação Sem Desconto, apresentado ao Supremo Tribunal Federal com 256 páginas e o indiciamento de 48 pessoas.”
Como o dinheiro era lavado, segundo a PF
O relatório tem 256 páginas e resultou no indiciamento de 48 pessoas. Segundo a Polícia Federal, o ex-presidente do órgão usava uma estrutura complexa de ocultação patrimonial para lavar a propina.
O principal canal de lavagem, aponta a investigação, era um escritório de advocacia. A PF também identificou R$ 1,5 milhão em propina pagos por meio de uma empresa do ramo imobiliário, usada para comprar imóveis, financiar reformas e cobrir outras despesas.
Os pontos centrais da apuração:
O tamanho do esquema ajuda a entender a gravidade: a Operação Sem Desconto investiga descontos indevidos aplicados sobre benefícios de aposentados e pensionistas, um golpe que, na prática, retirava dinheiro de quem vive da Previdência sem que a vítima tivesse autorizado.
- Investigado: Alessandro Stefanutto, ex-presidente do INSS.
- Valor: propina mensal que chegou a R$ 250 mil após ele assumir o cargo.
- Formas de pagamento: dinheiro vivo, cheques e Pix.
- Códigos: “pendrive” e “encomenda” para mascarar os repasses.
- Lavagem: um escritório de advocacia como principal canal.
- Relatório: 256 páginas, 48 indiciados, entregue ao STF em 14 de julho.
O caso ainda será julgado
A Operação Sem Desconto investiga um esquema de fraudes contra aposentados e pensionistas do INSS — descontos indevidos aplicados sobre benefícios de milhões de brasileiros. O relatório entregue ao STF é uma etapa da investigação, não uma decisão da Justiça.
É importante frisar: indiciamento não é condenação. O relatório da Polícia Federal reúne as conclusões da investigação e será agora analisado pela Procuradoria-Geral da República e pelo Supremo, que decidirão sobre eventual denúncia e, mais adiante, sobre o mérito das acusações.
Os 48 indiciados terão direito a apresentar defesa. O Minuto Atual não teve acesso à íntegra do relatório de 256 páginas, cujo conteúdo foi divulgado pela imprensa a partir de documentos da apuração. Procurada a defesa dos investigados, ainda não havia manifestação pública sobre as conclusões apresentadas ao STF até o fechamento desta reportagem.
Casos de corrupção envolvendo órgãos que pagam benefícios sociais têm impacto que vai além do valor desviado: minam a confiança dos cidadãos nas instituições de que dependem. Por isso a apuração é acompanhada de perto pela opinião pública.
O desenrolar do caso, agora nas mãos da PGR e do STF, será acompanhado de perto pelo Minuto Atual, que atualizará esta reportagem a cada nova etapa oficial da investigação.
A transparência sobre o destino do dinheiro desviado e o eventual ressarcimento aos aposentados prejudicados são pontos que tendem a ganhar espaço nas próximas fases do processo.
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