Nobel de Economia diz que tarifaço mira o sucesso do Pix e vai fortalecer Lula
O economista Paul Krugman, Nobel de Economia de 2008, publicou uma análise afirmando que o governo Trump tenta punir o Brasil pelo sucesso do Pix — e que a estratégia não deve funcionar. Segundo ele, o alcance econômico das tarifas será limitado pelo medo americano de inflação, e o efeito político será o oposto do pretendido: fortalecer Lula.
O que diz Krugman
Paul Krugman, vencedor do Prêmio Nobel de Economia de 2008, analisou em artigo recente as tarifas impostas pelo governo Trump ao Brasil.
Sua tese central é direta: a medida seria uma tentativa de punir o país por suas conquistas na área de pagamentos — leia-se, o Pix, sistema gratuito e instantâneo do Banco Central que se tornou referência mundial.
Para o economista, a estratégia está fadada ao fracasso tanto no campo econômico quanto no político.
O Pix, lançado pelo Banco Central em 2020, tornou-se o meio de pagamento mais usado do Brasil, com transferências instantâneas e gratuitas entre pessoas físicas. Sua adoção em massa é frequentemente citada em estudos internacionais sobre inovação em pagamentos.
“Usar as tarifas para punir o Brasil por suas conquistas monetárias não terá sucesso.”
Por que não deve funcionar
A frase acima resume a avaliação de Krugman. E o argumento econômico por trás dela é prático.
Segundo o economista, o alcance das tarifas será limitado pelos próprios temores do governo Trump — o medo de que os preços do café, do suco de laranja, da carne bovina e de outros produtos subam ainda mais nos Estados Unidos. Foi exatamente isso que se viu na lista de exceções divulgada: os produtos mais sensíveis à inflação americana ficaram de fora da sobretaxa.
No campo político, a análise aponta para o efeito contrário ao pretendido.
A lista de exceções divulgada pelos Estados Unidos parece dar razão a esse ponto: os itens poupados são justamente aqueles cujo encarecimento apareceria mais rápido na mesa do consumidor americano.
Os pontos centrais:
- Quem fala: Paul Krugman, Nobel de Economia de 2008.
- A tese: as tarifas tentam punir o Brasil pelo sucesso do Pix.
- Limite econômico: o medo de elevar a inflação nos próprios EUA restringe o alcance da medida.
- Produtos poupados: café, suco de laranja e carne bovina, entre outros.
- Efeito político: a medida tende a fortalecer o presidente Lula.
- Crítica ampliada: Krugman diz que a gestão Trump tenta punir o Brasil por ser uma democracia.
O Pix no centro da disputa comercial
A presença do Pix em uma disputa tarifária não é acidental. A investigação americana que embasou a tarifa, conduzida sob a chamada “Seção 301”, apontou práticas brasileiras consideradas prejudiciais ao comércio digital e aos pagamentos eletrônicos.
Do lado brasileiro, o governo já sinalizou que o tema está fora de negociação. O Planalto retirou o Pix da mesa durante as tratativas, e o ministro Márcio Elias Rosa afirmou que não haveria concessões sobre esse ponto nem sobre o etanol.
Vale registrar que este texto reproduz a análise publicada por um economista, e não uma posição do Minuto Atual sobre o mérito das tarifas ou sobre política brasileira. Krugman é uma voz influente no debate econômico internacional, mas sua avaliação é uma interpretação entre outras possíveis. A tarifa de 25% começa a valer em 22 de julho, e os efeitos concretos — sobre exportações, câmbio e política — só poderão ser medidos nas semanas seguintes.
O efeito prático das tarifas, previstas para entrar em vigor em 22 de julho, começará a aparecer nas exportações dos setores taxados nas semanas seguintes. Só então será possível avaliar, com números, quem tinha razão nesse debate.
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