Por que a América Latina está torcendo contra a Argentina na final da Copa
Algo raro aconteceu nesta Copa: a tradicional solidariedade sul-americana ruiu. Torcedores de México, Colômbia, Equador e Chile se somaram aos brasileiros e passaram a torcer contra a Argentina. A Espanha chega à decisão como a seleção mais querida do torneio, com 59,7% de menções positivas — e a Argentina, como a quarta mais rejeitada.
A solidariedade que não veio
Existe uma tradição no futebol sul-americano: quando uma seleção do continente avança em Copas, as demais torcem por ela. É a chamada dinâmica de solidariedade regional.
Desta vez, ela não funcionou. O sentimento contrário à Argentina apareceu em países como México, Colômbia, Equador e Chile, ultrapassando a tradicional rivalidade entre brasileiros e argentinos.
Nas redes sociais, viralizou uma imagem do espanhol Lamine Yamal vestindo a camisa do Brasil, com a legenda “a esperança do povo brasileiro”.
O fenômeno chamou atenção da imprensa internacional justamente por contrariar um padrão histórico. Em Copas anteriores, seleções sul-americanas remanescentes costumavam receber apoio regional quase automático.
“A Espanha chegou à final com 59,7% de menções positivas. Levantamento do jornal Marca apontou que a seleção espanhola recebeu o maior percentual de votos de torcedores de todos os continentes, incluindo a América do Sul.”
Os números da preferência
Os dados acima confirmam o que as redes sociais já indicavam: a Espanha virou a queridinha do torneio, inclusive no continente da adversária.
A rejeição à Argentina tem origens que os próprios argentinos dizem não compreender bem — reportagens registram o espanto da imprensa local diante da hostilidade regional.
O levantamento do Marca é relevante porque mede preferência declarada em escala global, e não apenas o barulho das redes sociais — que costuma amplificar posições mais extremas.
Os fatores apontados:
- Espanha: 59,7% de menções positivas, a mais querida do torneio.
- Argentina: aparece como a quarta seleção mais rejeitada.
- Alcance: sentimento anti-Argentina em México, Colômbia, Equador e Chile.
- Fator 1: narrativas nas redes ligando a seleção à Fifa e a Gianni Infantino.
- Fator 2: no Brasil, críticas a decisões de arbitragem ao longo do torneio.
- Fator 3: episódios de racismo envolvendo torcedores e jogadores argentinos.
As razões apontadas
Reportagens sobre o fenômeno apontam alguns fatores. O primeiro são narrativas que circularam nas redes sociais associando a seleção argentina à Fifa e a seu presidente, Gianni Infantino — o que alimentou a percepção de favorecimento.
No Brasil, a rejeição soma a rivalidade histórica a críticas sobre decisões de arbitragem que, segundo parte da torcida, teriam beneficiado os argentinos ao longo da competição.
Há ainda um componente mais grave: a imagem da Argentina foi afetada por episódios de racismo envolvendo torcedores e jogadores, incluindo um canto racista entoado por atletas argentinos contra franceses após a conquista da Copa América de 2024.
Vale registrar que este texto reproduz as razões apontadas por veículos que cobriram o fenômeno, e não uma avaliação do Minuto Atual sobre a conduta de qualquer seleção. O que os dados mostram é uma preferência declarada de torcedores em levantamentos — não um julgamento sobre mérito esportivo. Em campo, às 16h, o que decide é o jogo.
Do lado argentino, a reação é de surpresa. Reportagens registram torcedores dizendo que, se a situação fosse inversa, torceriam por uma seleção sul-americana na final — o que aprofunda a sensação de ruptura com uma tradição regional que parecia consolidada.
Seja qual for o motivo, o efeito prático é curioso: milhões de brasileiros vão assistir à final torcendo por uma seleção europeia, situação impensável em Copas anteriores. Às 16h, com a bola rolando no MetLife Stadium, a torcida se resolve em campo.
O Minuto Atual acompanha a decisão e publica o resultado assim que a partida terminar.
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